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Manual de Marcas
Registro de Marca

Oposição no INPI: como barrar uma marca parecida (e como se defender)

Por Equipe Manual de Marcas · 16/08/2026

Neste artigo

Toda quarta-feira o INPI publica a Revista da Propriedade Industrial com os pedidos de marca recém-depositados. Para a maioria das empresas, a RPI é papel de parede digital. Para quem entende o jogo, é radar: é ali que aparece, com antecedência, a marca parecida com a sua tentando nascer, e é ali que começa a contagem do único instrumento barato para barrá-la antes da concessão: a oposição.

O que é e quando cabe

A oposição é a peça que qualquer terceiro interessado pode protocolar contra um pedido publicado, em até 60 dias da publicação (art. 158 da LPI). Ela não decide nada por si: leva ao examinador argumentos e provas que ele talvez não visse sozinho. Os fundamentos clássicos:

  • Colidência com sua marca registrada ou depositada antes, no mesmo ramo ou em ramo afim (art. 124, XIX);
  • Direito de precedência de quem usava de boa-fé há pelo menos 6 meses antes daquele depósito (art. 129, § 1º);
  • Demais proibições do art. 124, como imitação de nome empresarial alheio ou sinal de caráter genérico no segmento.

A oposição paga GRU própria (confira o valor na tabela de retribuições vigente) e vale a pena, em regra, quando a colidência é real e o ramo é o seu: barrar agora custa uma peça administrativa; expulsar uma marca concedida custa nulidade ou Justiça.

Se a oposição veio contra o SEU pedido

O caminho inverso também acontece: seu pedido é publicado e alguém se opõe. A intimação sai na própria RPI, e dela conta o seu prazo de 60 dias para se manifestar. O processo não morre com a oposição, e o INPI decide mesmo sem resposta, mas silêncio significa deixar o examinador ouvir só um lado. A manifestação eficaz ataca os pontos objetivos: ramos distintos e especialidade, semelhança insuficiente para confundir, diferenças gráficas e fonéticas, e a sua própria anterioridade quando existir.

Duas armadilhas de quem se defende sozinho: perder o prazo por não acompanhar a RPI (a intimação não chega por e-mail; quem não monitora a revista não fica sabendo) e responder no tom errado, com indignação em vez de técnica. Examinador lê fato, classe e precedente.

O radar importa mais que a peça

Nada disso funciona sem vigilância: os dois prazos de 60 dias correm da publicação na RPI, silenciosamente. Quem monitora a revista toda semana descobre a marca colidente com meses de vantagem e escolhe a briga; quem não monitora descobre pelo pior canal, a notificação ou o indeferimento. É por isso que o acompanhamento semanal da RPI faz parte do nosso serviço de registro: oposição boa é a que se protocola com calma, não na véspera do prazo.

O essencial

Oposição: 60 dias da publicação para atacar, 60 da intimação para defender, GRU própria, fundamentos objetivos. Perdeu a janela, restam a nulidade administrativa (180 dias da concessão) e a judicial, ambas mais caras. E antes de tudo isso existe a prevenção barata: uma busca de anterioridade bem-feita evita depositar marca que nasce para apanhar, e o guia completo do registro mostra onde a oposição se encaixa no processo inteiro.

Perguntas frequentes

O que é a oposição no registro de marca?
É a manifestação formal de um terceiro contra um pedido de registro publicado na Revista da Propriedade Industrial, apresentada em até 60 dias da publicação (art. 158 da LPI). Ela leva ao examinador argumentos e provas de que aquela marca não deveria ser concedida, como a colidência com uma marca anterior.
Qual o prazo para apresentar e para responder uma oposição?
São 60 dias contados da publicação do pedido na RPI para o terceiro se opor. Apresentada a oposição, o depositante é intimado pela própria RPI e tem 60 dias para se manifestar. Os dois prazos são improrrogáveis, e perder o segundo não arquiva o pedido, mas entrega o debate sem a sua versão.
Sou obrigado a responder a oposição contra meu pedido?
Obrigado, não: o processo segue e o INPI decide mesmo sem manifestação. Mas deixar de responder é abrir mão de rebater os argumentos do opositor no momento em que o examinador está formando convicção. Na prática, quem tem bons argumentos responde sempre.
Quanto custa fazer uma oposição?
A oposição paga GRU própria, com valor definido na tabela de retribuições vigente do INPI (consulte a tabela atual antes de protocolar, pois os valores são reajustados periodicamente). Some a isso o custo técnico de preparar a peça, que é onde a oposição ganha ou perde.
Perdi o prazo da oposição. Acabou?
Não. Depois da concessão ainda cabem o processo administrativo de nulidade no INPI, no prazo de 180 dias da expedição do registro, e a ação judicial de nulidade. São caminhos mais longos e caros que a oposição, o que reforça o valor de monitorar a RPI toda semana.

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